APRESENTAÇÃO

 

         Um paradoxo da sociedade brasileira sempre me angustiou: o afastamento da grande população pobre, e por isso mais próxima da doença, do atendimento eficiente e das soluções possíveis da saúde pública. E, embora reconheça que esta situação decorre da política descomprometida, inoperante e ideologicamente deformada, não me conformo com ela. Donde, portanto, que minha indignação, aliada ao respeito pelos meus antepassados que fizeram da odontologia seu ofício, moveu em mim a vontade de reagir, fazer brotar uma ação transformadora, deixar um legado que pudesse contribuir e justificar a minha existência num plano espiritual mais elevado. Priorizando a solidariedade humana, alicercei meus sonhos e atitudes para criar um novo paradigma de assistência odontológica em Ouro Preto, cidade pela qual tenho amor e respeito profundos.
        A partir desse quadro de inquietação, há alguns anos, teve início o Projeto Sorria. Se naquele momento nos defrontávamos, a cada instante, com sorrisos mutilados nas faces de crianças pobres, hoje já se identifica um perfil novo. Há sinais evidentes de mudança que proporcionaram a essas crianças uma dimensão renovada de integração social.
     As conquistas e também as dificuldades enfrentadas na construção de uma infraestrutura adequada, os índices epidemiológicos, as parcerias, os amigos e a exaltação àqueles cuja sensibilidade nos faz acreditar que as utopias devem ser perseguidas, tudo isso faz parte da nossa história.
Os resultados apresentados nesse site são conseqüências da grande crença no ser humano. Estamos certos de que há um longo caminho ainda a percorrer na consolidação da Fundação Sorria e não podemos assumir nenhuma posição triunfalista. A sustentabilidade operacional precisa ser assegurada sem os limites do tempo. Por isso, estendemos a nossa mão, sem a conotação de súplica, mas invocando o seu engajamento nesta trajetória alicerçada na espiritualidade, na ciência e na responsabilidade social.

 


Aluísio Fortes de Drummond
Presidente da Fundação Sorria

 

 

 

HISTÓRICO

     A história da Fundação Sorria é o retrato de uma realidade que privilegia a população carente da cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais- Brasil. O que era para ser regra no País, é exceção desta população. Cerca de sete mil crianças e jovens de zero a 18 anos recebem da Fundação um tratamento odontológico gratuito e de qualidade. Essa realidade foi sonho, há anos, para o cirurgião dentista Aluísio Fortes de Drummond que, com seu ideal, criou o Projeto Sorria, com a proposta de formar consciência sanitária nas famílias das crianças assistidas e resgatar nelas o exercício da cidadania.
     A Fundação atua com condutas preventivas de saúde bucal para atingir índices epidemiológicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para isso, a atuação junto às famílias das crianças beneficiadas é fundamental no sentido de despertar a importância do controle das enfermidades bucais. Além disso, mais do que prestar assistência odontológica, a Fundação Sorria acompanha o desenvolvimento da criança, por meio de revisões periódicas.
      Em 22 anos de atuação, mais de 25 mil crianças, muitos dos quais são hoje adultos, já se trataram e resgataram o direito de ter dentes saudáveis e um sorriso que não os envergonhe.
 

 

 

 INÍCIO

 

       A história da Fundação Sorria começou em 1978 quando a população da cidade de Ouro Preto não possuía nenhuma assistência odontológica pública e gratuita. Nesta época, o cirurgião dentista Aluísio Drummond, professor do curso de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), começou sua atuação subindo os morros de Ouro Preto realizando o que chama de “catequese profilática”. Munido do projetor de slides, alguns moldes de gesso, escovas, fio dental e evidenciador de placa bacteriana, ele ia às escolas, associações comunitárias, paróquias e fazendas de distritos de Ouro Preto para levar informações sobre os cuidados e despertar as comunidades para a importância da saúde bucal.
      Em 1990, a creche Casulo Noêmia Velloso, no bairro de Santa Efigênia, um dos mais pobres da cidade, foi escolhida como local onde iniciar o trabalho preventivo com as crianças. À medida que os trabalhos se desenvolviam, a equipe identificou a necessidade de montar um consultório de atendimento. Os empresários da região começaram a apoiar o trabalho. Em 1991, era inaugurada a primeira unidade de atendimento do Projeto Sorria no bairro Santa Efigênia, com recursos da iniciativa privada e comunidade local. A unidade se compõe de consultório, escovário e escoveiro. A creche passava, portanto, a contar com assistência odontológica prestada por um grupo de voluntários, adeptos da linha preventiva, que beneficiou, inicialmente, cento e quarenta e três crianças.
     Em 1992, com aumento da demanda por atendimento, teve início a construção da segunda unidade, no Morro da Piedade, bairro extremamente carente de Ouro Preto. Com a mesma estrutura anterior, o Projeto Sorria consolidava, nessa segunda unidade, a metodologia mais atenta às práticas de prevenção, além do tratamento curativo- restaurador. O trabalho desenvolvido na unidade da Piedade mudou a realidade da saúde bucal das crianças daquele bairro.

 

 FUNDAÇÃO

 

     O reconhecimento da seriedade do trabalho pode ser apreciado na demanda crescente da população diante dos bons resultados obtidos nas duas unidades. Isso determinou que as atividades do Projeto fossem reestruturadas e ampliadas. Para tanto, em 1994, constituiu-se legalmente a Fundação Sorria. Novas unidades odontológicas foram construídas: a de Saramenha de Cima e São Cristóvão, em 1995, Cachoeira do Campo em 2000, Pocinho em 2001 e Antônio Pereira em 2002. Construídas, como se disse, em regiões mais carentes de Ouro Preto, todas essas unidades possuem a mesma estrutura, com escovário e consultório odontológico. Em 2006 foi inaugurada a oitava unidade, que funciona na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) local e atende mais de duzentas crianças especiais. Em 2008 foi inaugura uma nova unidade no distrito de Lavras Novas, e a décima primeira unidade foi inaugurada em 2010 em Santo Antônio do Salto.
    A Fundação Sorria mantém ainda um consultório móvel que facilita o atendimento às crianças em condições especiais ou impossibilitadas de receber intervenção por métodos convencionais. O consultório móvel de alta tecnologia, está instalado no bloco cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto.
     Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que, no Brasil, as instituições filantrópicas cobrem apenas 0,47% da demanda de assistência odontológica.  Atualmente, a Fundação Sorria presta assistência odontológica completa e gratuita a sete mil crianças carentes, de 0 a 18 anos, o que corresponde a 18% da população infantil de Ouro Preto. Este trabalho reduziu em 55% o índice de cárie nessa população infantil.
    Para atender a tantas crianças gratuitamente - e com qualidade -, a Fundação conta com o apoio da Prefeitura de Ouro Preto e de empresas privadas da região. A comunidade também contribui com carnês de valores a partir de R$ 10,00 mensais. As ações da Fundação Sorria conseguiram a adesão de artistas plásticos e músicos, que disponibilizam seus talentos para levantar recursos para instituição. O custo mensal das atividades supera o valor de R$ 100 mil.

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